AGU notifica Google para remover sites que criam nudes falsos com inteligência artificial dos resultados de busca

Autoridade brasileira exige ação contra plataformas que disseminam deepfakes pornográficos

Em uma medida que reflete a crescente preocupação com os usos maliciosos da inteligência artificial, a Advocacia-Geral da União (AGU) notificou formalmente o Google para que desindexe sites especializados na criação e distribuição de nudes falsos gerados por IA. A notificação, emitida em 5 de abril de 2026, representa um passo significativo na tentativa de conter a proliferação de deepfakes pornográficos, que têm se tornado uma ferramenta de assédio e violação de privacidade, principalmente contra mulheres.

O cerne da notificação e a responsabilidade das plataformas

A ação da AGU se baseia na interpretação de que a indexação desses sites pelo maior mecanismo de busca do mundo facilita o acesso a conteúdos que violam direitos fundamentais, como a intimidade, a honra e a imagem das pessoas. A notificação não se limita a pedir a remoção de links específicos, mas exige que o Google implemente medidas proativas para identificar e desindexar domínios cuja atividade principal seja a geração não consensual de imagens íntimas falsas. Este caso coloca em evidência o debate sobre a responsabilidade das grandes plataformas de tecnologia na moderação de conteúhos gerados por ferramentas de IA.

O contexto da tecnologia e os desafios legais

A tecnologia por trás desses sites geralmente utiliza modelos de difusão ou redes generativas adversariais (GANs), que podem criar imagens realistas a partir de poucas fotos públicas de uma pessoa. A facilidade de uso e o acesso democratizado a essas ferramentas amplificaram o problema. Do ponto de vista jurídico, a AGU argumenta que a prática se enquadra em violações previstas no Marco Civil da Internet e no Código Penal, configurando crimes contra a honra e a inviolabilidade da intimidade. A notificação busca forçar o Google a agir como um agente de controle, uma vez que a desindexação reduz drasticamente a visibilidade e o tráfego para esses sites.

Possíveis impactos e reações esperadas

A notificação da AGU deve acionar um complexo processo de análise por parte do Google, que tradicionalmente opera sob suas próprias políticas de conteúdo e leis como a Digital Millennium Copyright Act (DMCA) dos EUA. Especialistas em direito digital apontam que este caso pode estabelecer um precedente importante no Brasil, pressionando outras plataformas de busca e redes sociais a adotarem posturas mais rígidas. Entre os impactos esperados estão:

  • Um possível aumento no número de pedidos de remoção baseados em deepfakes.
  • Um debate mais aprofundado sobre a necessidade de legislação específica para crimes digitais envolvendo IA.
  • Pressão sobre desenvolvedores de modelos de IA para implementarem salvaguardas técnicas contra usos maliciosos.
  • Maior conscientização pública sobre os riscos da exposição de imagens pessoais online.

Um problema global com respostas locais

O Brasil não é o primeiro país a confrontar este desafio. Nações como o Reino Unido e alguns estados dos EUA já possuem leis que criminalizam especificamente a criação e distribuição de deepfakes pornográficos sem consentimento. A ação da AGU, no entanto, é notável por direcionar-se diretamente a um gigante da tecnologia, buscando atacar o canal de distribuição (os resultados de busca) em vez de apenas perseguir os operadores dos sites, que muitas vezes estão localizados em jurisdições de difícil alcance. A eficácia da medida dependerá da cooperação do Google e da eventual judicialização do caso.


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