Influencer é investigado por usar inteligência artificial para manipular imagens de jovens evangélicas
A Polícia Civil de São Paulo abriu uma investigação contra um influencer que utilizou inteligência artificial (IA) para manipular fotografias de jovens evangélicas, transformando-as em conteúdo sexualizado. O caso, que ganhou repercussão nas redes sociais, envolve a criação de imagens falsas a partir de fotos reais de adolescentes frequentadoras de igrejas.
De acordo com as primeiras apurações, o suspeito usava ferramentas de IA para alterar rostos e corpos das vítimas, gerando montagens de cunho pornográfico. As imagens eram então compartilhadas em grupos de mensagens e plataformas digitais, sem o consentimento das jovens ou de suas famílias.
O delegado responsável pelo caso, que preferiu não ser identificado, afirmou que a polícia já identificou pelo menos 15 vítimas, todas menores de idade. “Estamos trabalhando para rastrear a origem das imagens e identificar todos os envolvidos na produção e divulgação desse material”, disse.
A investigação teve início após denúncias de pais e líderes religiosos, que notaram a circulação de fotos manipuladas nas redes. Em um dos vídeos analisados, o influencer aparece ensinando passo a passo como usar a IA para criar as montagens, o que configura crime de divulgação de pornografia infantil e associação criminosa.
Especialistas em direito digital alertam que o uso de IA para criar deepfakes de menores agrava a situação legal. “A tecnologia não pode ser usada como escudo para crimes. A responsabilidade é total do autor, que deve responder por produção, armazenamento e compartilhamento de material ilícito”, explicou a advogada Carla Mendes, especialista em crimes cibernéticos.
As igrejas evangélicas afetadas estão prestando apoio psicológico às vítimas e suas famílias. Em nota, a Associação de Ministros Evangélicos de São Paulo repudiou o ocorrido e pediu celeridade na investigação. “Não podemos tolerar que a fé seja usada como alvo de ataques tão perversos”, declarou o pastor Luís Almeida.
A Polícia Civil solicita que outras possíveis vítimas ou testemunhas procurem a delegacia especializada em crimes digitais para prestar depoimento. O caso segue sob sigilo.
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