Impacto da IA no mercado de trabalho jovem
Um estudo recente divulgado pelo G1 revela que a inteligência artificial já está reduzindo as oportunidades de emprego entre os jovens no Brasil, além de ameaçar a formação profissional tradicional. A pesquisa aponta que setores como atendimento ao cliente, análise de dados e tarefas administrativas estão sendo automatizados, afetando principalmente trabalhadores com idades entre 18 e 29 anos.
De acordo com especialistas ouvidos pela reportagem, a IA não apenas substitui funções repetitivas, mas também exige novas habilidades que muitos jovens ainda não possuem. Isso cria um descompasso entre a formação oferecida por instituições de ensino e as demandas do mercado, que busca profissionais capazes de LiDAR com ferramentas de machine learning, análise preditiva e automação.
Dados alarmantes
O levantamento mostra que, nos últimos dois anos, houve uma queda de 12% nos postos de trabalho formais para jovens em áreas como telemarketing, suporte técnico e processamento de dados. Em contrapartida, as vagas que exigem conhecimento em IA cresceram 35%, mas são ocupadas majoritariamente por profissionais mais experientes ou com formação específica.
“A IA está criando uma nova divisão no mercado de trabalho. Quem não se adaptar corre o risco de ficar para trás”, afirma Carlos Mendes, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Ele ressalta que o Brasil precisa investir urgentemente em programas de requalificação e atualização curricular nas escolas técnicas e universidades.
Formação profissional sob ameaça
Outro ponto destacado é a obsolescência de cursos tradicionais, como administração e contabilidade, que estão sendo transformados pela IA. Muitas tarefas antes realizadas por profissionais de nível médio agora são executadas por sistemas inteligentes, reduzindo a demanda por esses profissionais.
Para a educadora Ana Paula Souza, da Universidade de São Paulo (USP), é essencial que as instituições de ensino incorporem disciplinas de tecnologia e ética em IA desde o ensino básico. “Não se trata apenas de ensinar a usar ferramentas, mas de desenvolver pensamento crítico e capacidade de adaptação”, explica.
O estudo conclui que, sem medidas urgentes, o Brasil pode enfrentar um aumento do desemprego juvenil e uma crise na formação de mão de obra qualificada para o futuro.
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